Um começo dificil, mas um final feliz

Quando o Rafael fez 5 meses e meio a pediatra disse que seria a hora de introduzir algumas frutas em sua dieta para que ele se acostumasse com a colher. Fiquei muito feliz, finalmente tinha chegado a hora de eu colocar em prática aquilo que sei fazer melhor, cozinhar. Mas, logo percebi o quanto tinha sido ingênua, na maternidade nem tudo acontece do jeito que planejamos.

Sempre mantive o Rafael numa rotina rígida de horário, por isso cheguei em casa depois da consulta e logo fui adicionar o horário da fruta na agenda dele. Sai, comprei as melhores peras orgânicas que encontrei e deixei tudo pronto. No dia seguinte, uma hora após a mamadeira da manhã o sentei na cadeirinha para dar sua primeira colherada.

Seria cômico se não fosse trágico. Eu com o coração batendo forte de emoção de um lado e ele vomitando cinco segundos depois de engolir uma micro raspada de pera de outro. Na hora pensei, “tudo bem, é a primeira vez ele deve ter estranhado muito o gosto, amanhã será melhor”.

Essa foto foi tirada em uma das tentativas. Eu colocava um saco plástico em baixo dele para diminuir a bagunça

Essa foto foi tirada em uma das tentativas. Eu colocava um saco plástico em baixo dele para diminuir a bagunça

No dia seguinte no mesmo horário tentei novamente e para minha surpresa… ele vomitou novamente. Pensei, “acho melhor tentar outra fruta” e no dia seguinte amassei uma banana com a certeza de que três era o meu número da sorte, mas meu otimismo foi embora junto com mais um vômito dele. Nesse ponto comecei a me desesperar.

Tentei todos os jeitos, maçã raspada, banana amassada, pera cozida, mas por um mês o Rafael vomitou copiosamente tudo o que eu ofereci para ele. Da pediatra eu ouvi que a culpa era minha. “Ei, espere ai! Culpa minha???? Nesse momento resolvi retomar a calma e colocar a cabeça no lugar.

Uma amiga me indicou um pediatra integral, que analisa a criança em seu contexto familiar e fisiológico. Na consulta ele me disse o que eu precisava escutar:

Seu filho mama seis mamadeiras por dia. Ele está saudável e crescendo com saúde. O leite é a principal fonte calórica da dieta dele até os doze meses, por isso ele não precisa comer agora.

Meu coração voltou a bater com tranquilidade. Não ofereci mais nada para o Rafael. Passei a observa-lo com carinho e comecei a me colocar no lugar dele, a imaginar como ele estava sentindo aquilo tudo. Além disso, resolvi mergulhar em livros sobre desenvolvimento infantil, introdução alimentar, educação e os guias da OMS e da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Quando ele completou seis meses e meio eu estava bem mais segura. Ao invés de fruta, resolvi amassar uma mandioquinha (batata baroa) com um pouquinho de fórmula e sem grandes expectativas o sentei no cadeirão novamente. Nesse momento aconteceu a mágica do tempo. Ele finalmente aceitou com alegria sua primeira colherada.

Toda essa experiência serviu para que eu ficasse valente e respeitasse ainda mais a individualidade do meu filho. Por isso decidi que faria a introdução dos alimentos na dieta dele de uma forma “diferente” do habitual.

Como já comentei em outro post, esse pediatra me encorajou a pular a etapa de um alimento a cada três dias, por isso aos sete meses o Rafael já havia experimentado uma porção de coisas. Decidi oferecer todos os alimentos separadamente para que eu pudesse identificar o que ele gostava e o que não gostava. Até porque sempre tive certo arrepio com papinhas monocromáticas e insossas.

Desde a primeira colherada aceita eu temperei a comida dele com cebola, alho, salsinha, tomilho, coentro, manjericão, salvia, limão… e pouco sal. Afinal, eu sabia que com doze meses seria orientada a dar a comida da casa para ele. Então, se eu não temperasse desde cedo ele provavelmente rejeitaria a comida da família.

No inicio da introdução eu amassava com um pouco do liquido de cozimento cada item do prato até a consistência de papinha. Um por um era colocado no prato formando uma refeiçãozinha. Na hora de oferecer eu dava cada coisa em uma colherada diferente.

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Consistência entre sete e nove meses

Dessa forma eu descobri que meu filho não era muito chegado em ovo. Não gostava das frutas muitos doces. Não gostava de batata. Amava grão de bico, peixe e creme de espinafre. Foram meses de muitas descobertas para mim e para ele.

Consistência entre nove e onze meses

Consistência entre nove e onze meses

Com o passar do tempo eu fui aumentando a consistência e amassando menos. Coloquei como meta o aniversário de um ano para que ele estivesse comendo na consistência normal, mas a evolução dele foi mais rápida e com onze meses já tínhamos vencido essa etapa.

Consistência dos onze meses em diante

Consistência dos onze meses em diante

Hoje eu sou orgulhosa em dizer que tenho “um bom de garfo”. Claro que como qualquer outra criança ele tem dias ótimos e dias péssimos à mesa, mas eu aprendi que não importa a quantidade e sim a qualidade. Aprendi também que me colocando no lugar dele fica mais fácil entender os períodos em a comida é a ultima de suas prioridades. Afinal, sentar sem apoio, ficar em pé, dar o primeiro passo, nascer o primeiro dente, aprender a correr, a pular, brincar com os amigos, falar as primeiras palavras… enfim tudo é bem mais interessante que comer, e assim será por um bom tempo.

 

Tammy Achkar

8 comentários. Faça o seu.

Paloma

Olá!
Minha bebê tem 1 ano e 1 mês, come pedacinhos mas só se tiver um “caldo” ou “creme” para ajudar a engolir. Quero muito faze-la comer comida com consistência normal ou menos papa, mas quando tento ela cospe tudo, e abre o maior berreiro quando fica um grão de arroz na língua. Alguma sugestão? Obrigada!

Ellen

Nossa meu filho tem 4 meses e refluxo, a pediatra disse pra começar com frutinhas, pois ela disse que quanto antes os sólidos forem sendo colocados menos ele vomita, tentei dar maça e frutinha, e assim como vc nas primeiras colherada ele vomitou tudooooo que estava ano estômago. Como dou LA, esperei duas horas e meia depois do mama pra dar frutinha e mesmo assim voltou mama na sala toda… fico apavorada, triste, pois ele toma 5 mamadeiras de 140ml por dia, ele é magrinho, mas to achando que não vou conseguir introduzir alimentos tão cedo desse jeito, ele não pode ficar vomitando assim… estou muito cansada e triste…

Ana Carolina

Quando li o teu texto, me identifiquei logo de início…meu bebê mama no peito, e até os 6 meses foi amamentação exclusiva. Faz 11 dias que estou tentando introduzir alimentação, mas está sendo um fracasso total!! Nos primeiros 4 dias tentei só fruta, banana nos primeiros 3 dias e no quarto maçã, NADA, inclusive passou a impressão que eu o tinha ofendido de tão brabo que ficou! Depois tentei dar moranga, batata, chuchu, batata doce, cenoura…até agora nada…já tentei mamão e abacate também. Como ele não come nada, de manha faço tentativa com alguma fruta, no almoço ofereço 3 opções do que listei acima, e a tarde outra fruta, diferente da de manhã. As papinhas do almoço são apenas cozidas e esmagadas com garfo, sem nenhum tempero ou sal. Tem alguma sugestão para me dar? Estou meio apavorada, pois começo a trabalhar daqui 2 meses e tenho medo que ele nunca coma…

    Tammy Achkar

    Tammy Achkar

    Author

    Ana, a dica é fique tranquila. Ele não faz ideía do que está acontecendo. Até ontem ele era alimentado no colinho quentinho, a meia luz e agora ele tem que encarar colheradas de coisas esquisitas. Ele também não sabe que a comida sacia a fome. Então deixe que aconteça no tempo dele. Quando você relaxar ele vai perceber e logo aceitará a alimentação.

Luciana

Tammy, Boa Tarde!

Minha filha tem 10 meses e só come papinhas de legumes amassada batida no liquidificador, estou bem preocupada. Já tentei introduzir separadamente aos poucos, mas ela chora e não come. O que eu faço?
Papinha de fruta ela come apenas a banana amassada, as demais frutas só na forma de suco.

Bjs
Luciana

    Tammy Achkar

    Tammy Achkar

    Author

    Luciana, desculpe pela demora.

    Será necessário ser um pouco valente. O bebê é resistente a essa transição e você precisa com paciência e perseverança ir modificando a textura da comida. Ofereça primeiro bem úmido mas amassado no garfo. Coloque bem pouco na colher. Ela vai resmungar mas vc precisa se manter firme. Mesmo que ela perca uma refeição. Lembre-se que o leite ainda é a principal fonte de caloria. Quando ela perceber que agora é assim, ela vai aceitar. boa sorte

Ana Paula

Tammy, ele já tinha quantos dentes quando começou com a comidinha normal? Meu filho tem 1 ano e 2 meses, tem 7 dentes na frente e engasga sempre que tento dar a comida sem amassar.

    Tammy Achkar

    Tammy Achkar

    Author

    O Rafa tinha uns seis dentes. Tente oferecer a comida menos amassada gradativamente. Coloque pouco na colher e acompanhe com calma sua evolução. Determine uma meta de tempo e vá com calma. Já já ele irá comer na mesma textura que a família. bjs

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